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Domingo, 15 de Março de 2026
Paulinas - A comunicação a serviço da vida

Evangelho do dia 15/03/2026

4º Domingo da Quaresma - Ano A - Roxa
1ª Leitura: 1Sm 16,1b.6-7.10-13a Salmo: Sl 22(23) - Quando ando por um vale escuro, não temo mal algum. 2ª Leitura: Ef 5,8-14 Evangelho Opcional: Jo 9,1.6-9. 13-17.34-38
evangelho
Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo - Jo 9,1-41

Passando, Jesus viu um homem que era cego desde o nascimento. Seus discípulos lhe perguntaram: “Rabi, quem pecou, ele ou seus genitores, para que nascesse cego?” Respondeu Jesus: “Nem ele pecou nem seus genitores, mas é para que sejam manifestadas nele as obras de Deus. É preciso que eu trabalhe nas obras daquele que me enviou enquanto é dia. Vem a noite, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”. Tendo dito isso, cuspiu por terra e fez lama com a saliva, e com a lama ungiu-lhe os olhos e lhe disse: “Vai, lava-te na piscina de Siloé!”, o que, traduzido, é Enviado. Ele foi, lavou-se e voltou vendo. Então os vizinhos e aqueles que antes costumavam vê-lo, pois era mendigo, diziam: “Este não é aquele que ficava sentado mendigando?” Uns diziam: “É ele”. Outros diziam: “Não! Mas alguém parecido com ele”. Ele mesmo dizia: “Sou eu”. Diziam-lhe, então: “Como te foram abertos os olhos?” Ele respondeu: “O homem chamado Jesus fez lama, ungiu com ela meus olhos e me disse: ‘Vai a Siloé e lava-te!’ Fui, lavei-me e comecei a ver”. E disseram-lhe: “Onde está ele?” Ele disse: “Não sei”. Levaram aos fariseus o que fora cego. Era sábado o dia em que Jesus fez lama e lhe abriu os olhos. Então, novamente, perguntaram-lhe, desta vez os fariseus, como começara a ver. Ele lhes disse: “Ele colocou lama sobre meus olhos, eu lavei-me e vejo”. Diziam, então, alguns dos fariseus: “Este homem não vem de Deus, uma vez que não guarda o sábado”. Outros, porém, diziam: “Como pode um homem pecador fazer tais sinais?” E houve uma divisão entre eles. Disseram, então, novamente, ao cego: “Uma vez que ele te abriu os olhos, o que tu dizes dele?” Ele disse: “É um profeta”. Os judeus não acreditaram nele, que fora cego e tivesse começado a ver, enquanto não chamaram os genitores daquele que tinha começado a ver. E perguntaram-lhes: “Este é vosso filho, que dizeis que nasceu cego? Como, então, agora vê?” Responderam seus genitores: “Sabemos que ele é nosso filho e que nasceu cego. Como agora vê, não sabemos, nem sabemos quem lhe abriu os olhos. Perguntai-lhe! Já é adulto. Ele mesmo fala por si”. Seus genitores disseram essas coisas por medo dos judeus, pois os judeus já se tinham posto de acordo que, se alguém confessasse Jesus como o Cristo, seria expulso da sinagoga. Por isso, seus genitores disseram: “Ele já é adulto. Perguntai-lhe!” Chamaram, então, pela segunda vez, o homem que fora cego e disseram-lhe: “Dá glória a Deus! Sabemos que este homem é pecador”. Ele lhes respondeu: “Se é pecador, não sei. Uma coisa sei: que eu era cego e agora vejo”. Disseram-lhe: “O que ele te fez? Como te abriu os olhos?” Respondeu-lhes: “Já vos disse, e não escutastes. Por que quereis ouvir novamente? Acaso quereis, também vós, tornar-vos discípulos dele?” Eles, então, o injuriaram, dizendo: “Tu és discípulo dele, nós somos discípulos de Moisés. Sabemos que Deus falou a Moisés, mas este, não sabemos de onde ele é”. O homem lhes respondeu: “Isto é surpreendente: não sabeis de onde ele é, e, no entanto, abriu-me os olhos. Sabemos que Deus não ouve os pecadores, mas, se alguém é temente a Deus e faz sua vontade, a este ele ouve. Nunca se tinha ouvido falar que alguém tivesse aberto os olhos de um cego de nascença. Se ele não viesse de Deus, nada poderia fazer”. Responderam-lhe: “Tu nasceste inteiro em pecado e queres nos ensinar?” E o expulsaram dali. Jesus ouviu dizer que o tinham expulsado, encontrou-o e disse-lhe: “Crês no Filho do Homem?” Ele respondeu: “E quem é, senhor, para que eu creia nele?” Disse-lhe Jesus: “Tu o vês. É aquele que fala contigo”. Ele afirmou: “Creio, Senhor”. E prostrou-se diante dele. Disse Jesus: “Para um julgamento eu vim a este mundo: para que aqueles que não veem vejam, e aqueles que veem tornem-se cegos”. Alguns dos fariseus que estavam com ele ouviram isso e lhe disseram: “Acaso também nós somos cegos?” Disse-lhes Jesus: “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado. Agora, porém, como dizeis: ‘Nós vemos’, vosso pecado permanece”.

A Bíblia: tradução da editora Paulinas, 2023.
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Oração Inicial

4º Domingo da Quaresma. Que o Espírito Santo venha em nosso auxílio e nos mostre o caminho que a Palavra deseja realizar na vida de cada um de nós neste tempo especial da quaresma.

Rezemos: Senhor Jesus Cristo, envia sobre nós, como prometeste, teu Espírito Santo. Que ele nos conceda a vida e nos ensine a plenitude da verdade. Que nele encontremos a salvação, felicidade e plenitude de amor. Amém. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
“Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações” (Cf. Is 66,10-11).



“Ó Deus, que por vossa Palavra realizais de modo admirável a reconciliação do gênero humano, concedei ao povo cristão correr ao encontro das festas que se aproximam, cheio de fervor e de fé”. Amém.”

Leitura (Verdade)

O que diz o texto? Qual é o contexto da narrativa? A quem Jesus está instruindo? Quais são as suas exortações? Qual é o caminho apontado por Jesus?

Evangelho: Jo 9,1-41“Passando, Jesus viu um homem que era cego desde o nascimento. Seus discípulos lhe perguntaram: “Rabi, quem pecou, ele ou seus genitores, para que nascesse cego?” Respondeu Jesus: “Nem ele pecou nem seus genitores, mas é para que sejam manifestadas nele as obras de Deus. É preciso que eu trabalhe nas obras daquele que me enviou enquanto é dia. Vem a noite, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”. Tendo dito isso, cuspiu por terra e fez lama com a saliva, e com a lama ungiu-lhe os olhos e lhe disse: “Vai, lava-te na piscina de Siloé!”, o que, traduzido, é Enviado. Ele foi, lavou-se e voltou vendo. Então os vizinhos e aqueles que antes costumavam vê-lo, pois era mendigo, diziam: “Este não é aquele que ficava sentado mendigando?” Uns diziam: “É ele”. Outros diziam: “Não! Mas alguém parecido com ele”. Ele mesmo dizia: “Sou eu”. Diziam-lhe, então: “Como te foram abertos os olhos?” Ele respondeu: “O homem chamado Jesus fez lama, ungiu com ela meus olhos e me disse: ‘Vai a Siloé e lava-te!’ Fui, lavei-me e comecei a ver”. E disseram-lhe: “Onde está ele?” Ele disse: “Não sei”. Levaram aos fariseus o que fora cego. Era sábado o dia em que Jesus fez lama e lhe abriu os olhos. Então, novamente, perguntaram-lhe, desta vez os fariseus, como começara a ver. Ele lhes disse: “Ele colocou lama sobre meus olhos, eu lavei-me e vejo”. Diziam, então, alguns dos fariseus: “Este homem não vem de Deus, uma vez que não guarda o sábado”. Outros, porém, diziam: “Como pode um homem pecador fazer tais sinais?” E houve uma divisão entre eles. Disseram, então, novamente, ao cego: “Uma vez que ele te abriu os olhos, o que tu dizes dele?” Ele disse: “É um profeta”. Os judeus não acreditaram nele, que fora cego e tivesse começado a ver, enquanto não chamaram os genitores daquele que tinha começado a ver. E perguntaram-lhes: “Este é vosso filho, que dizeis que nasceu cego? Como, então, agora vê?” Responderam seus genitores: “Sabemos que ele é nosso filho e que nasceu cego. Como agora vê, não sabemos, nem sabemos quem lhe abriu os olhos. Perguntai-lhe! Já é adulto. Ele mesmo fala por si”. Seus genitores disseram essas coisas por medo dos judeus, pois os judeus já se tinham posto de acordo que, se alguém confessasse Jesus como o Cristo, seria expulso da sinagoga. Por isso, seus genitores disseram: “Ele já é adulto. Perguntai-lhe!” Chamaram, então, pela segunda vez, o homem que fora cego e disseram-lhe: “Dá glória a Deus! Sabemos que este homem é pecador”. Ele lhes respondeu: “Se é pecador, não sei. Uma coisa sei: que eu era cego e agora vejo”. Disseram-lhe: “O que ele te fez? Como te abriu os olhos?” Respondeu-lhes: “Já vos disse, e não escutastes. Por que quereis ouvir novamente? Acaso quereis, também vós, tornar-vos discípulos dele?” Eles, então, o injuriaram, dizendo: “Tu és discípulo dele, nós somos discípulos de Moisés. Sabemos que Deus falou a Moisés, mas este, não sabemos de onde ele é”. O homem lhes respondeu: “Isto é surpreendente: não sabeis de onde ele é, e, no entanto, abriu-me os olhos. Sabemos que Deus não ouve os pecadores, mas, se alguém é temente a Deus e faz sua vontade, a este ele ouve. Nunca se tinha ouvido falar que alguém tivesse aberto os olhos de um cego de nascença. Se ele não viesse de Deus, nada poderia fazer”. Responderam-lhe: “Tu nasceste inteiro em pecado e queres nos ensinar?” E o expulsaram dali. Jesus ouviu dizer que o tinham expulsado, encontrou-o e disse-lhe: “Crês no Filho do Homem?” Ele respondeu: “E quem é, senhor, para que eu creia nele?” Disse-lhe Jesus: “Tu o vês. É aquele que fala contigo”. Ele afirmou: “Creio, Senhor”. E prostrou-se diante dele. Disse Jesus: “Para um julgamento eu vim a este mundo: para que aqueles que não veem vejam, e aqueles que veem tornem-se cegos”. Alguns dos fariseus que estavam com ele ouviram isso e lhe disseram: “Acaso também nós somos cegos?” Disse-lhes Jesus: “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado. Agora, porém, como dizeis: ‘Nós vemos’, vosso pecado permanece”.

“Um cego é curado e passa a enxergar. Enxerga o Cristo. O que deveria ser motivo de alegria, não alegra a todos. O cego foi curado e os discípulos querem saber quem havia pecado: ele ou seus pais. O cego foi curado e os fariseus negam a verdade do fato, chamando a ele e a Jesus de pecador. Ele é cego, por isso é pecador. Jesus é pecador porque cura no dia de sábado. A cegueira, em uma ideologia religiosa, é castigo do pecado. O sábado, na mesma ideologia, está acima das necessidades do ser humano. A discussão se acalora e o relato se torna agitado em acusações e expulsões, para terminar em um diálogo calmo entre Jesus e o que tinha sido cego. Quem, afinal, é pecador nessa história toda?” (Viver a Palavra - Côn. Celso Pedro da Silva -2026 Paulinas Editora)

Meditação (Caminho)

No texto de hoje, Jesus viu o cego de nascença. Ninguém é multidão para Jesus porque ele nos vê em nossas individualidades. Jesus se importa com cada ser humano. A pior cegueira é aquela em que se deixa de enxergar o sentido real da vida. Quem tem Jesus como a luz dos olhos, sai das trevas do pecado e da escuridão que entorpece a razão. Neste momento, é importante que você esteja atento/a àquilo que está meditando, pois é o Senhor quem está falando com você por meio de sua Palavra.
O que o texto diz para mim, hoje? Qual é o caminho que a Palavra me convida a seguir?
Quais realidades me impedem de ter os olhos abertos para enxergar a beleza da vida e o sofrimento do meu próximo?
De quais cegueiras Jesus quer me curar?

Oração (Vida)

Que acolhamos a vós, ó Pai, e vosso Filho Jesus Cristo, nosso Senhor, dando testemunho diante de cada irmão, de cada irmã do vosso inefável amor...Permaneça uns instantes em silêncio deixando seu coração falar com Deus....

Se desejar ore: “Senhor, hoje queria dizer mais. Queria que a minha oração não fosse esse rumor de sempre, as mesmas palavras disparadas às pressas, entre uma coisa e outra; ou o balbucio esquivo, cheio de tudo o que eu não disse, porque não encontrei o tempo, o modo ou a verdade. Hoje queria dizer mais. Não trago intenções nem pedidos (...) Dia após dia, sinto que, mais do que tudo, preciso do teu olhar. Talvez me faltem palavras... Queria apenas colocar devagar as minhas mãos dentro das tuas. E isso, Senhor, seria a minha oração e a minha vida” (Um Deus que dança – José Tolentino Mendonça – Paulinas Editora).

Contemplação (Vida e Missão)

A Palavra nos chama à fidelidade com Jesus e com seu Evangelho. Qual minha atitude de vida depois desta oração? Verbalizo ou escreve meu propósito.

Bênção

Benção especial da Quaresma
- Deus Pai de misericórdia, conceda a todos, como concedeu ao filho pródigo, a alegria do retorno a casa. Amém.
- O Senhor Jesus Cristo, modelo de oração e de vida, nos guie nesta jornada quaresmal a uma verdadeira conversão. Amém.
- O Espírito de sabedoria e fortaleza nos sustente na luta contra o mal, para podermos com Cristo celebrar a vitória da Páscoa. Amém.
- Abençoe-nos, Deus misericordioso, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.

Ir. Carmen Maria Pulga

O que parece ser uma narrativa de milagre é, na verdade, um caminho de fé que vai da cegueira à plena visão. Esse caminho é o local do encontro com Jesus. O cego não vê, mas é obediente. Esse é o critério indispensável para alcançar a plena visão. Jesus é sempre luz para quem não vê, mas quer ver porque crê. Ao contrário, deixa de ser luz para quem pensa que vê, mas, porque não crê, é cego. A cura do cego de nascença evidencia as duas últimas bem-aventuranças segundo Mateus 5,10-11. Na concepção judaica, pela qual os discípulos estavam influenciados, tal doença era vista como uma consequência do próprio pecado ou dos pais (doutrina da retribuição). Ao excluir a culpa humana, Jesus, luz do mundo, tornou a cura uma revelação da salvação e glorificação de Deus. Causa estupor que a cura, derivada da obediência à ordem de Jesus, tenha tornado réu o beneficiado. Da abordagem dos vizinhos e conhecidos, o que fora cego passou para as mãos de um tribunal, e os próprios pais dele foram chamados em causa, porque os que o interrogaram não quiseram acreditar na sua palavra. Do beneficiado se passa ao beneficiador. Jesus, embora ausente do tribunal, passou a ser o centro da questão. Apesar de não haver acordo entre os que julgavam, o fato era incontestável para alguns e uma fraude para outros. Pesou contra o beneficiado a cura ter sido realizada em dia de sábado. Jesus, por ter feito lama, violou o sábado e, por isso, não podia ser digno de crédito. Para o réu beneficiado, porém, pouco importou, pois nunca se ouvira dizer que alguém tivesse aberto os olhos de um cego de nascença. As autoridades se justificaram apelando para a revelação mosaica e se tornaram opressivos. Ao contrário das injúrias e da expulsão da sinagoga, o caminho da cura do cego foi plenificado com a visão face a face. Diante de Jesus, o que fora cego fez uma profissão de fé e se prostrou. Quem era cego foi iluminado e quem acreditava enxergar, por se recusar a crer, permaneceu cego. A interiorização desse episódio permite que sejamos corrigidos em nossas percepções da realidade, pois o objetivo central não é, em si, a cura do cego de nascença, mas a ação favorável e providente de Jesus, que vai muito além da cura física: a mudança de vida assumida como testemunho. Que a cura do cego de nascença nos motive a uma profunda renovação da vivência do nosso Batismo.

Pe. Leonardo Agostini Fernandes, ‘A Bíblia dia a dia 2026’, Paulinas.